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Olá, meu amigos!
Este é um tema
delicado, há uns
2 meses eu estou
ensaiando essa
conversa com
vocês, com a
única finalidade
de poder ajudar
a quem está
passando por
alguma forma de
depressão, pois
há muitas
pessoas que
estão passando
por isto, e
muitas não
sabem, não
querem ou não
podem, por
motivos
particulares,
procurar ajuda.
Para
falar sobre as
depressões, eu
preciso dar o
meu próprio
depoimento,
falar como eu
passei e
superei, e vocês
sabem como é
difícil a gente
começar a falar
sobre os nossos
sofrimentos,
tocar em feridas
que a cada dia,
a gente tenta
cicatrizar. Mas
quando é por uma
boa causa, e se
de alguma forma,
for útil para
ajudar alguém,
então vale
à pena sim.
Eu não sou
especialista no
assunto e quero
deixar bem claro
que o
melhor em caso
de depressão, é fazer um
tratamento com
um especialista:
Psicólogo,
médico ou
terapeuta. Há
também as
terapias
alternativas.

Primeiramente,
vamos entender o
que seria a
depressão: Ela é
um estado de
tristeza
profunda, que
chega de
mansinho e aos
poucos vai se
instalando,
tirando o nosso
ânimo, a nossa
alegria de viver
e vai tomando
conta da gente,
perdemos a
vontade de sair,
de estar com
amigos e vamos
nos isolando no
nosso mundo
interior, até
chegar ao ponto
em que ela nos derruba.
Ops! Aí eu não
concordo! Que
ela venha e tome
conta de nós,
é até
aceitável...
visto que
é algo que não
podemos
evitar... mas
podemos evitar
que ela nos
derrube, sim!
No meu ponto de
vista, existem
várias causas
para a
depressão, mas
vamos falar
de duas: Aquela
que é causada
pela perda de
uma pessoa
querida,
a morte de um familiar,
alguém que
gostávamos e que
estava próximo
de nós e de
repente, sem
nenhum aviso
prévio, o
destino nos
separa de quem
amamos. E vamos
falar também
daquela que
acontece quando
estamos em um
período da vida
que nos sentimos
sem
perspectivas.

A
depressão me
atingiu quando
eu tinha 31 anos,
foi quando o meu pai
faleceu, e
durante os 2
primeiros anos,
eu sentia, todos
os dias e todas
as horas, uma tristeza
que me dominava.
Por que além de
eu gostar muito
do meu pai, que
sempre esteve
presente nas
nossas vidas,
esta foi a
primeira vez que
houve uma morte
na família, é a
tal coisa,
quando não
acontece com sua
família, você
tem apenas uma
noção distante
do que é... Mas
quando acontece
com a sua
própria família, o
contato é mais
próximo... É
quando você cai
na real.
Isto foi há 10
anos atrás e eu
estava no
período de
puerpério
(resguardo) com
o nascimento da
minha filha, que
tinha somente 1
mês de vida, e a
conselho do meu
médico, eu não
deveria me
emocionar, não
poderia chorar,
para o leite do
peito não secar.
Pensando na
amamentação de
minha filha, eu
engoli a
tristeza e não
chorei. O tempo
foi passando e a
tristeza foi
acumulando,
depois de 6
meses, ela me
derrubou.

Quando perdemos
alguém por
falecimento, começamos
a ter uma maior
consciência de
nossa finitude, de que
nossa vida
também terá um
fim, isto aliado
a saudade
daquela pessoa
que se foi,
provoca uma
imensa tristeza.
As fatalidades
da vida são
fatos que
ninguém consegue
aceitar de
imediato, ou
se conformar,
você nunca está
preparado para
isso, ela
sempre abala o
nosso eu
interior e
geralmente nos
leva à reflexão,
e se essa reflexão não for bem
conduzida,
poderá se
transformar em
uma tristeza
profunda.
O pesar era
enorme, o
pensamento era
constante e a
saudade doía.
Mas eu tinha um
bebê nos braços
e não podia me
deixar abater.
De imediato eu
nem sabia que
aquilo era uma
forma de
depressão, mas
sabia que eu
estava
decepcionada com
a vida, eu sabia da
tristeza que eu
estava sentindo,
e não conseguia
me livrar dela.
A pior fase
durou 2 anos, e
durante esse
tempo eu
sentia que uma
parte de mim
havia morrido,
havia ido embora
junto com meu
pai. Era como se
eu estivesse
metade viva e
metade morta.
Hoje eu sei que
o que morreu em
mim foi a minha
inocência,
alguns sonhos,
algumas
alegrias, morreu
em mim uma parte
de encantamento
pela vida.
Ao mesmo tempo,
eu sentia uma
grande
necessidade de
me sentir mais
próxima de Deus,
eu sempre tive o
costume de rezar
todos os dias,
mas naquele
momento eu
queria conversar
com Ele, mesmo
sabendo que Deus
me acompanhava e
sabia de tudo.
Eu queria rezar,
eu queria ver o
lado bom da
minha vida e
somente
agradecer. Eu
queria colocar
as coisas boas
acima das coisas
ruins. Eu queria
sair daquela
tristeza.
Eu não queria
esquecer do meu
pai, mas
eu queria apagar
da mente aquele
acontecimento,
eu queria que a
minha vida
voltasse a ser
como era antes desse
trauma, quando eu
nunca havia
pensado ou
refletido sobre
a morte, eu
queria parar de
pensar em morte,
mas eu não
conseguia.
Sozinha eu não
conseguiria,
e eu sabia que
ninguém
conseguiria por
mim.
Eu sabia
que só Deus
poderia me
ajudar.
Quando você está
depressivo, você
sente uma
escuridão nos
seus dias, mesmo
se o sol estiver
radiante lá
fora. Parece que
tem uma nuvem
escura te
rodeando.
Eu
acreditava que
só Deus poderia me
ajudar, de alguma
forma, mas seria
um processo
lento, demorado
mesmo, então
para ocupar o
meu tempo, eu
resolvi fazer um
jardim.
Enquanto o meu
bebê estava
dormindo, eu
estava plantando
diversos tipos
de plantas, a
minha
preferência eram
as plantas com
flores, e que
fossem bem
coloridas.
Intimamente, era
a necessidade de
colocar cor na
minha vida.

Nas muitas vezes
em que os
espinhos das
roseiras feriram
os meus dedos,
eu sentia que
aquela dor era
mínima diante da
dor interna que
eu sentia.
Através do
contato direto
com a terra, e
com as plantas
eu me sentia
muito bem.
Eu adorava
preparar a
terra, sentia
uma sensação
agradável em
pegá-la com as
mãos, senti-la
entre os meus
dedos e depois
lançar as
sementes, ficava
observando o
crescimento das
plantas e as
flores se
abrindo, de
todos os tipos e
todas as cores.
A minha
dedicação ao
jardim era
diária, não
importava se era
segunda-feira,
ou se era
sábado, todos os
dias eu sentia
necessidade de
estar tocando a
natureza, a
impressão era
que ela me
purificava, aos
pouquinhos ela
ia tirando a
tristeza de
dentro de mim.
A natureza
foi a minha
grande amiga, a
aliada nos
momentos mais
difíceis. Ela me
ajudou a
superar, por quê
eu me dediquei à
ela. Fizemos uma
troca. Enquanto
eu cuidava dela,
ela cuidava de
mim.
Ou será que foi
Deus que cuidou
de mim através
da natureza? Com
certeza, sim!
Por que
primeiramente eu
recorri à ele e
em seguida, me
veio a vontade
de tocar a
natureza.
E foi assim, que
eu construí na
minha casa,
durante 2 anos,
um imenso
jardim.

Depois, eu
sentia vontade
de caminhar pelo
parque que fica
próximo
da minha casa, e todas
as manhãs eu
saía para
caminhar,
observando
as árvores.
De uma forma bem
simples e bem
natural, eu fui
superando aquela
tristeza.
Eu não posso
dizer que voltei
a ser exatamente
como eu era
antes,
não voltei, por
que todo
sofrimento deixa
marcas em nosso
ser.
Mas com certeza,
eu me tornei
mais amadurecida
e mais forte.

Nesta época eu
aprendi coisas
muito
importantes.
Aprendi que
sempre devemos
agradecer à
Deus, por tudo
que somos, pelo
que temos e
pelas pessoas
que fazem parte
da nossa vida, agradecer
aos nossos pais,
agradecer aos
nossos filhos,
agradecer aos
nossos irmãos,
aos nossos
amigos, aos
nossos
empregados.
Eu aprendi que
devemos nos
sentir felizes
por coisas bem
simples, mas que
tem uma grande
importância.
Agradecer à Deus
pela vida, pela
natureza, pelas
belezas deste
mundo, enfim,
agradecer a tudo
e a todas as
coisas.
É somente com o
sentimento de
gratidão que
podemos sentir
Deus. É somente
mentalizando a
força do bem que
seremos felizes.

O
que devemos ter
consciência é de
que este momento
de tristeza é
indispensável
nas nossas
vidas, é
importante para
nós, precisamos
vivê-lo!
precisamos senti-lo!
Uma vez eu li a
seguinte frase:
"A tristeza é um
chiclete que
precisa ser
mastigado" e tem
que ser bem
mastigado para
que possamos
superá-la. Se
você tentar
passar por cima,
fugindo da
tristeza,
engolindo o
choro, ela não
irá embora.
Ficará te
rodeando até que
você a
experimente,
encarando-a de
frente, chorando
todas as
lágrimas que
tiver que
chorar, pois
enquanto isto
acontece,
interiormente
você está
se fortalecendo
para que possa
eliminá-la. Isto
é algo que não é
visível,
perceptível...
você só vai
perceber isto
depois.
Por quê enquanto
você está
depressivo, você
não percebe que
está, nem se dá
conta...
geralmente quem
percebe são as
pessoas que
convivem
conosco, que
estão mais
próximas, estas
sim,
percebem a nossa
mudança de
comportamento,
por quê
geralmente
perdemos a
vontade de estar
com as pessoas e
a única vontade
que temos é de
ficar sozinho,
não queremos nos
expor, não
queremos
público, só
queremos a nossa
solidão.

Mas o que é mais
importante, é
saber que será
passageiro,
será apenas um período que
você terá que
enfrentar, pois
nada dura para
sempre, nem as
alegrias e muito
menos as
tristezas. É um
momento que
precisa ser
vivido e sentido
para o nosso
desenvolvimento
espiritual.
Outra frase
muito conhecida:
"Assim como toda
alegria é
passageira,
nenhum
sofrimento será
eterno!"
Imaginem o que
seria de nós se
tivéssemos
somente alegrias
nas nossas
vidas? Se não
tivéssemos
nenhuma
experiência
triste?
Provavelmente
não teríamos
força e nem
preparo para
viver e muito
menos para
morrer.
Temos que saber
e aceitar que os
traumas são
muito
importantes para
todos nós.
Atualmente os
médicos
pediatras
recomendam que
nós não devemos
poupar nossas
crianças de
terem traumas e
decepções. É
claro, que
contrariando os
conselhos
médicos, nós que
somos mães
amorosas, sempre
procuramos
poupar nossos
filhos de
qualquer tipo de
trauma, para que
eles não sofram.
Mas que eles são
necessários,
isto devemos
saber. Se não
pudermos evitar,
que saibamos
entender e
ajudá-los a
superar.

Na minha
juventude, por
volta dos meus
17/18 anos.
Enquanto a
maioria dos
jovens se
divertiam e
curtiam com
alegria suas
juventudes, lá
estava eu, no
meu mundo
particular, a me
questionar sobre
os por quês da
vida. O por quê
da violência, o
por quê das
brigas de rua, o
por quê da
maldade, o por
quê da falta de
amor, das
decepções, dos
desencontros, da
pobreza, da
escravidão, da
falsidade, o por
quê desse mundo
ser tão
diferente do que
eu gostaria que
ele fosse.
A minha revolta
não era
exterior, mas
somente
interior. Eu
sempre fui muito
calma, se eu não
estivesse no
colégio
estudando,
estava em casa
escrevendo os
meus diários, ou
lendo algum
livro.

É comum nos
jovens, quando
estão terminando
os estudos e
ainda não
entraram na
faculdade ou
ainda não
começaram a
trabalhar,
sentir algum
tipo de
depressão, isto
se dá pela falta
de expectativas,
por um futuro
incerto, pela
transição da
fase juvenil
para a fase
adulta.
É importante a
conversa, o
diálogo entre os
pais e os
filhos. É
importante ser
amiga(o) deles,
acompanhá-los em
todas as suas
fases, mas
principalmente
nesta.
É importante o
apoio, e ver o
quê eles estão
precisando.
Através da
conversa você
descobre muitas
coisas: os seus
medos, as suas
ansiedades, sua
preocupação com
a
responsabilidade
na fase adulta.
Neste momento é
importante
transmitir à
eles, todo o
carinho que eles
precisam.
Elogiá-los,
mostrando-lhes
as
qualidades que
eles possuem.
É importante
colocar
novidades em
suas vidas, pelo
menos nesse
curto período de
transição. Tipo:
colocá-los em
uma auto-escola,
ou em um curso,
ou ajudá-los a
arrumar um
emprego. É
preciso evitar
que eles fiquem com a
mente vazia, é
necessário
ocupá-los com
alguma
atividade.

Meus amigos! Não
pensem que a
minha vida ficou
restrita a
momentos de
tristeza, claro
que não, as
alegrias e os
bons momentos
também eram
constantes na
minha vida,
assim como é na
vida de todos
nós. É claro que
eu tive e tenho
muito mais
momentos de
alegria do que
de tristeza, mas
como o assunto
aqui é
depressão, eu
estou
abordando mais
sobre isso.

Se você está com
depressão, eu
tenho algumas
sugestões para
lhe fazer:
*Primeiramente
converse com
Deus, reze. Peça
a sua ajuda
divina. Entenda
que Deus sempre
nos atende, isso
é
inquestionável. Conte tudo para
ele, mesmo
sabendo que ele
já sabe, por que
Ele te
acompanha
integralmente.
*Desabafe,
chore, coloque
tudo pra fora.
Mas chore mesmo,
se entregue ao
choro por que
ele sempre faz
bem, é uma forma
de lavar a alma
e amenizar as
dores.
*Alternativas
importantes:
Procure fazer
caminhadas, pode
ser à beira-mar,
ou em um parque
próximo de sua
casa, ou em
qualquer local
onde você possa
ter um contato
direto com a
natureza. Experimente
abraçar uma
árvore, e sinta
a força que ela
lhe transmite.
*Experimente
caminhar contra
o vento e nesse
momento abra os
seus braços,
sentindo a força
dele contra o
seu corpo. É uma
maravilha!
*Experimente
fazer um pequeno
jardim, se
dedique as
plantas,
toque-as,
sinta-as. Você
sentirá uma
sensação
indescritível.
Mas se você
não estiver
com depressão,
possivelmente,
você não
sentirá nada
quando tocar a
natureza...
agora, se você
estiver
depressivo, você
sentirá a força
dela atuando em
você.
Sabe porque isto
acontece? Por
quê quando você
está depressivo
você se sente
fraco, não na
força física,
mas na força
interior. A
natureza te
ajuda a
recuperar a sua
força interior.
Lembre-se que a
natureza é uma
criação de Deus
e tem muitas
utilidades!
*Procure
tratamento
médico
especializado.
Meus amigos! Não
se esqueçam, que
o sofrimento
provocado pela
tristeza, é
necessário à
todos os seres
humanos, se não
fossem
necessários,
provavelmente
Deus não
deixaria que
eles existissem,
para que nós não
sofrêssemos. O
importante é
saber que tudo
tem uma razão de
ser. O
importante é
saber que Deus
nunca nos
desampara, ele
sempre está por
perto,
principalmente
nos momentos
mais difíceis.
E depois, com
certeza, você
vai sair desta
situação se
sentindo bem
mais forte do que
antes.

Beijos
carinhosos!
da amiga,
Lisiê.
  
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